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Falar sobre consciência animal é questionar a forma como escolhemos quem merece empatia

  • 30 de jul.
  • 2 min de leitura

O Dia Nacional da Consciência Animal é celebrado simbolicamente em 7 de julho. A data foi escolhida em referência à Declaração de Cambridge sobre a ‘Consciência Animal’, documento apresentado em 2012 por neurocientistas que reconheceram que diversas espécies possuem a capacidade de gerar experiências conscientes. 

O 7 de julho já passou, mas a consciência animal não exige data para ser celebrada e lembrada.

Em outras palavras, há apenas 14 anos a ciência consolidou o reconhecimento dos animais como sencientes, capazes de sentir medo, alegria, dor, conforto, segurança, afeto, com desejos e necessidades próprias. 

Apesar disso, todos os dias milhões de animais são vítimas de abandono, maus-tratos, exploração e negligência. Ainda assim, muitas dessas situações passam despercebidas porque fazem parte da rotina, cultura e da forma como aprendemos a enxergar os animais desde a infância. 


Limites da empatia


É comum nos comovermos diante da história de um cachorro resgatado, gato atropelado ou até mesmo de um passarinho que caiu do ninho. Mas essa mesma empatia nem sempre se estende aos animais que a sociedade destina ao consumo, ao entretenimento, à pesquisa ou à exploração. 

O que faz com que atribuamos valores diferentes a diferentes espécies? A barreira entre essas espécies não é determinada pela capacidade dos animais de sentir. Ela é construída pela cultura, tradição, hábitos e, principalmente, interesses humanos. 

Para coelhos, por exemplo, a fofura e delicadeza falam mais alto do que o reconhecimento de suas próprias necessidades. Por isso, continuam sendo comprados por impulso em datas comemorativas, mantidos em gaiolas pequenas, alimentados de forma inadequada e vistos como pets de baixa manutenção.


A conscientização vai muito além de evitar maus-tratos


Quando pensamos em proteção animal, muitas pessoas imaginam apenas situações extremas de violência. Mas a conscientização envolve muito mais do que isso.

Isso vale para quem decide adotar um pet, para quem compartilha informações nas redes sociais, para empresas, instituições e também para o poder público, responsável por desenvolver políticas de proteção, fiscalização e educação sobre bem-estar animal.

Respeitar um animal significa entender que ele não existe para atender às nossas expectativas, mas que possui necessidades próprias que devem ser atendidas.Cada informação compartilhada pode evitar que um animal seja adquirido por impulso, abandonado ou criado de forma incorreta.


Escolha consciente


A conscientização animal não acontece apenas por meio de leis ou campanhas. Ela começa nas escolhas do dia a dia: pesquisar antes de adotar, compreender as necessidades da espécie, oferecer um ambiente adequado, buscar orientação profissional e combater a desinformação são atitudes que fazem a diferença.

Neste 7 de julho, independentemente da data já fazer parte oficialmente do calendário nacional ou não, vale aproveitar a reflexão que ela propõe. Afinal, proteger os animais começa quando deixamos de enxergá-los apenas como recurso e passamos a reconhecê-los como seres que sentem, vivem e merecem respeito.

 
 
 

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